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Crítica | The Get Down – 1ª Temporada

Crítica | The Get Down – 1ª Temporada

The Get DownThe Get Down (2016)

Direção: Baz Luhrmann

Criador: Baz Luhrmann

Elenco: Justice Smith, Shameik Moore, Herizen Guardiola, Jaden Smith, T.J. Brown, Skylan Brooks, Yahyla Abdul-Mateen II, Jimmy Smits, Giancarlos Esposito, Kevin CorriganDaveed Diggs

Por Rafael Bernardes

A segunda produção mais cara da Netflix, perdendo apenas para The Crown, é dirigida pelo australiano Baz Luhrmann, conhecido por filmes como O Grande Gatsby e Moulin Rouge. O elenco conta com nomes conhecidos do público, como Jaden Smith (filho do Will Smith) e Giancarlo Esposito, o eterno Gus Fring de Breaking Bad. Baz é conhecido por se destacar na produção audiovisual de seus filmes, o que não é diferente em The Get Down. O visual da série é encantador, misturando um cenário quase teatral com momentos reais da história do Bronx.

A trama se passa no final dos anos 70, quando Nova York enfrentava uma forte crise econômica e os bairros mais afetados foram os mais pobres, como o Bronx. Em diversos momentos conseguimos nos lembrar da série Todo Mundo Odeia o Cris, que mostrava a mesma situação do bairro nova-iorquino. A produção nos apresenta a vida de Ezequiel Figuero, órfão que mora com sua tia, protagonizado por Justice Smith (Cidades de Papel). O jovem enfrenta a típica jornada do Herói, buscando realizar seu sonho pessoal e conquistar sua amada.

O principal destaque da série, além do audiovisual, fica por conta da história em si, que mostra o auge do Disco, estilo musical mais popular da época nos Estados Unidos e o surgimento da cultura Hip-Hop. Em diversos momentos da ficção, encontramos personagens reais, como Grandmaster Flash e Kool Herc, dois dos primórdios Dj’s que iniciaram uma revolução nos toca-discos americanos. É muito difícil um fã de Hip-Hop não se emocionar com a história, dando pulos e apontando para a tela quando as duas lendas aparecem.

Além do surgimento de um gênero musical, a história conta a jornada de Ezequiel e seu grupo de amigos, além de Mylene Cruz (Herizen Guardiola), no qual está perdidamente apaixonado. Mylene é uma jovem cantora talentosa que tenta se destacar na música, enquanto seu pai, o pastor conservador Ramon Cruz reluta em permitir que ela busque seus sonhos. A série conta as duas histórias paralelamente, mas elas se cruzam diversas vezes, por conta do envolvimento entre os dois.

Ezequiel é talentoso com as palavras, um poeta nato, e ao conhecer Shaolin Fantastic (Shameik Moore), reúne seu grupo de amigos e começa sua jornada como um dos primeiros Rappers da história. A trama é envolvente, mas muitas vezes cansa o espectador por conta de repetições de cenas. O diretor enfatiza em momentos que podemos perceber olhando apenas uma vez, talvez duas, mas ele repete diversas vezes. O corte rápido de uma cena para outra, entrelaçando momentos e os unificando é muito bem feito, mas muitas vezes dá um ritmo lento e desnecessário para a série.

As atuações são boas, principalmente do protagonista, beirando o teatro musical, mas sem perder a realidade, que não nos deixa pensar que aquilo que ele está nos passando não é o que está sentindo. Um destaque também é a atuação de Jaden Smith, que interpreta Marcus “Dizzee”, amigo de Ezequiel, que mostra sua arte através de grafites em toda a cidade. Ele mostra a verdade de um adolescente que está se descobrindo, tanto artisticamente, quanto sexualmente.

A série ressalta a situação calamitosa do bairro, abordando temas como política, tráfico de drogas, violência contra menores e exploração infantil. Baz tem muitos méritos ao conduzir a trama, que encanta visualmente, mas também emociona o seu público alvo. A história que mistura ficção com realidade é necessária e mostrada de uma forma que ainda não tínhamos visto. Apesar dos problemas, é uma das melhores produções da Netflix deste ano e vale a pena ser assistida.

Nota: 8/10

 

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