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Crítica | Doutor Estranho

Crítica | Doutor Estranho

doutor_estranho_poster_bode_na_salaDoutor Estranho (Doctor Strange, 2016)

Direção: Scott Derrickson

Roteiro: Jon Spaihts, Scott DerricksonC. Robert Cargill

Elenco: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Benedict Wong, Benjamin Bratt e Scott Adkins

Por Carlos Redel

Logo no início de Doutor Estranho, sabemos que as coisas não estão bem. Monges correm de um lado para o outro, ora de cabeça para baixo, ora pelas paredes, desafiando a física e modificando o espaço ao seu redor. Prédios são distorcidos e tudo gira como em um caleidoscópio. A promessa de que a Marvel iria expandir a mente dos fãs, aparentemente, estava se cumprindo.

Em seguida, conhecemos o brilhante e arrogante neurocirurgião Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), enquanto salva vidas no hospital em que trabalha. Logo após, em um acidente de carro, vemos que suas mãos, essenciais para o trabalho do médico, ficaram gravemente feridas e que, provavelmente, não poderão mais operar. Começa, então, a jornada do médico para encontrar uma cura.

Strange, depois de tentar todas as opções que a medicina oferecia, descobre um milagroso tratamento no Nepal. Desesperado, ele vai até lá. No oriente, conhece monges liderados pela Anciã (Tilda Swinton), que lhe mostram novas realidades e ensinam como a magia é possível. Algum tempo depois, o nosso herói já está imerso naquele universo, se tornando mais poderoso na mesma medida em que se torna mais humilde. No entanto, uma ameaça se aproxima e, em breve, uma guerra pela Terra começará.

Como todo longa de origem, Doutor Estranho tem a difícil missão de apresentar um novo herói, todos os personagens necessários para contar sua história e desenvolvê-los, o que é mais complicado. Neste caso, também é preciso estabelecer as realidades que serão trabalhadas durante o filme. E até o início do segundo ato, a trama flui bem, mantendo a história interessante. No entanto, quando as explicações começam a se tornar constantes, o filme acaba ficando cansativo. Mesmo que estejamos conhecendo um novo universo, com incríveis viagens psicodélicas, fica claro que os roteiristas não conseguiram explicar na prática a dimensão dos poderes ou como funciona o Multiverso. Tudo precisa ser dito. E, infelizmente, isso acaba deixando o filme, em muitos momentos, maçante.

O diretor Scott Derrickson, conhecido por trabalhar com longas de terror, traz elementos diferentes para uma trama de super-herói, principalmente na primeira viagem de Strange através das demais realidades. No entanto, isso não se sustenta por muito tempo. O filme acaba deixando de arriscar em algo novo, mantendo-se no ambiente seguro já criado pela Marvel nos demais filmes do estúdio. Uma amostra disso são as exageradas piadas que foram inseridas no longa. Não há uma cena, seja de ação ou drama, que não tenha algo engraçado para quebrar o clima da situação.

Apesar disso, as pequenas, mas importantes mensagens que o longa quer passar, como a importância das mãos de Strange, com tomadas que deixem os membros em foco, e como isto irá se refletir na história, são muito boas. Outra questão que chama a atenção pela maneira interessante como foi trabalhada é o tempo. O médico, com sua coleção de relógios caríssimos, parecia controlar tudo. No entanto, quando a câmera mostra o último deles quebrado, percebemos que as coisas mudaram. O tempo, agora, seria diferente e teria um novo significado para o herói. E, principalmente no desfecho, ele tem. Ótima sacada. Há, também, um bom contraponto entre o mundo fantástico e o real, que acaba tendo como cenário o hospital em que Strange trabalha. Ali, temos uma amostra de que as coisas se completam. Plano astral e físico.

Com um excelente Cumberbatch, que consegue passar credibilidade, mesmo que insistam em colocar piadas em tudo, o filme conta com uma boa performance de Swinton como Anciã, um regular Chiwetel Ejiofor dando vida a Mordo e uma subaproveitada Rachel McAdams sendo o interesse romântico de Strange, a doutora Christine Palmer.

O filme se baseia muito nos efeitos especiais e, para uma melhor imersão, é quase obrigatório o 3D, que oferece uma boa profundidade e mostra bem os níveis trabalhados no longa. No entanto, apesar de bem inserida na história, a computação gráfica não tem nada de impressionante.

No final das contas, é impressionante o quanto a Marvel esteve perto de entregar um produto diferente, mas não conseguiu deixar as coisas fluírem. Chega até ser engraçado, pois a principal mensagem de Doutor Estranho, e isto foi reforçado nos cartazes e trailers, diz para abrir a mente e aceitar coisas novas. Infelizmente, o medo de sair da zona de conforto fez com que um filme abaixo do seu potencial chegasse aos cinemas, deixando um sentimento de que falta alguma coisa. E não é algo qualquer. Falta algo novo, uma pegada diferente. A promessa era de um filme estranho (o que seria interessantíssimo), mas acabou ficando no meio do caminho.

Nota: 7/10

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