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Crítica | Um Estado de Liberdade

Crítica | Um Estado de Liberdade

freestateposterUm Estado de Liberdade (Free State of Jones, 2016)

Direção: Gary Ross

Roteiro: Leonard Hartman e Gary Ross

Elenco: Matthew McConaughey, Gugu Mbatha-Raw, Keri Russell e Mahershala Ali

Por Daniel Fagundes

Um Estado de Liberdade tinha tudo para ser um grande filme. Tinha. O fato de contar a história de um cara que fundou seu próprio país, somado aos grandes papéis recentes de Matthew McConaughey, deixou a expectativa muito alta. Talvez por isso tenha desapontado tanto.

O longa é baseado nos livros The Free State of Jones: Mississippi’s Longest Civil War de Victoria E. Bynum, e The State of Jones de Sally Jenkins e John Stauffer. O filme promete contar a história do fazendeiro Newt Knight (Matthew McConaughey) que durante a Guerra Civil Americana se rebelou contra as ações dos governantes locais e, junto com escravos que haviam fugido e pessoas do seu vilarejo, declarou a independência do seu condado.

O início com muito sangue e uma sequência de soldados gravemente feridos – homens sem braços ou pernas – chega a chocar graças ao ótimo trabalho de efeitos especiais. Tudo se encaminha para narrar os feitos de Knight e sua grande revolução, mas logo vemos que a confusão do roteiro não deixa isso acontecer.

Gary Ross (Jogos Vorazes) não soube aproveitar o grande produto que tinha nas mãos e a falta de experiência de Leonard Hartman, que roteirizou pela primeira vez um longa, parece ter sido um grande fator para os erros.

O excesso de não continuidade no roteiro incomoda muito. Vários fragmentos da história são introduzidos e mal acabados, fazendo com que o espectador não fique preso ao filme e não entenda muito do que está acontecendo – principalmente quando não está muito familiarizado com a Guerra Civil Americana. A intenção de abordar vários momentos da biografia de Knight, e até de seus descendentes, acaba deixando raso seus grandes feitos. Isso afeta também no debate central do filme, que parecia ser a vida de um fazendeiro/herói que lutou contra opressores e se libertou, mas no fim termina com um uma clara crítica ao racismo.

McConaughey mais uma vez está muito bem, mas não consegue carregar o filme sozinho. Não por culpa dele. De novo a falta de continuidade em alguns momentos acabam deixando o personagem sem o apelo necessário para carregar o longa. O resto do elenco serviu apenas para fazer apoio, já que nenhum é bem trabalhado e muitos foram sendo esquecidos ao longo da história.

O longa é confuso e deixou a sensação de que não soube ser trabalhado. É uma pena, já que a biografia de Newt Knight parece ter grandes histórias que poderiam ter virado um grande filme.

Nota: 5/10

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