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Crítica | Fora do Rumo

Crítica | Fora do Rumo

skiptrace-poster-bode-na-salaFora do Rumo (Skiptrace, 2016)

Direção: Renny Harlin

Roteiro: Jay Longino, BenDavid Grabinski

Elenco: Jackie Chan, Johnny KnoxvilleBingbing Fan, Eric TsangEve TorresWinston Chao, Shi Shi

Por Carlos Redel

Jackie Chan foi responsável por alegrar as tardes de muita gente com seus filmes divertidos que passavam (incansavelmente) na Sessão da Tarde. E foi assim nas décadas de 1990 e início de 2000.  Deixando de lado produções norte-americanas, como A Hora do Rush e Bater ou Correr, os longas asiáticos do ator, como Mr. Nice Guy, Police Story, Operação Condor, Quem Sou Eu? e Arrebentando em Nova York conseguiam prender o telespectador, principalmente pelo carisma do protagonista e as ótimas sequências de ação. Os roteiros destes filmes, muitas vezes fracos e apostando em soluções simples, não incomodavam, pois as pessoas só queriam ver o protagonista fazendo seus malabarismos.  Mas a fórmula cansou, o público ficou mais exigente e a idade chegou para Chan.

O ator chinês nunca parou de fazer filmes. Atualmente, ele investe pesado em produções na China, mas estas mal chegam ao mercado ocidental. Quando conseguem, é direto para o home video. Desde Karatê Kid, lá em 2010, nenhuma produção live action de Chan estreava nos cinemas daqui. Até agora. Fora do Rumo poderá ser visto nas telonas do Brasil, mas seria melhor que isso nem acontecesse.

Dirigido por Renny Harlin (Duro de Matar 2), o longa tenta seguir a fórmula que deu certo nos já citados A Hora do Rush e Bater ou Correr. No filme, Bennie Chan (Chan) acaba se juntando com um parceiro canastrão norte-americano, Connor Watts (Johnny Knoxville), para resolver um crime. Os dois, por conta de uma série de confusões, precisam viajar, das mais variadas maneiras, da Rússia até Hong Kong, onde pretendem desmascarar o vilão e resgatar a afilhada do personagem de Chan.

Até aí, nada de anormal. Poderia até ser um divertido e despretensioso road movie. O problema é a história. O gatilho para o desenvolvimento da trama é, no mínimo, tosco. Os vilões do filme não representam ameaça em momento algum da projeção, tirando que suas atuações são terríveis. Muitas piadas, se não for a maioria delas, também não funcionam. E o pior, chegam a ser constrangedoras. No entanto, nada é tão ruim do que a tentativa de plot twist no desfecho do longa. Sem pé nem cabeça, sem explicação de como aquilo aconteceu e sem uma motivação plausível. Os roteiristas (não tem como entender como duas pessoas conseguiram errar tão absurdamente), pelo visto, não sabiam como explicar aquela reviravolta tão ruim e, simplesmente, não fizeram.

E as cenas de luta? Bom, Chan já passou dos 60 anos. Não consegue mais fazer todas as acrobacias do passado, mas ele até que tenta. Só que, com as limitações do ator, tudo tem que ser mais devagar, desmanchando qualquer chance de parecer real. Então, as lutas que outrora eram divertidas, acabam ficando meio deprimentes. Se tem algo que pode alegrar aos saudosistas, é a clássica corridinha do ator, que está ali e ele ainda consegue fazer bem.

Jackie Chan e Johnny Knoxville até entregam uma química razoável, mas nada comparado às parcerias do chinês com Chris Tucker e Owen Wilson. Em raríssimos momentos, o espectador até consegue esquecer todo aquele terror cinematográfico e abrir um sorriso no canto da boca, mas isso dura tão pouco que nem vale a pena tentar assistir ao filme. Se você está se perguntando se Fora do Rumo tem alguma parte boa? Bom, em uma cena, Chan canta “Rolling in the Deep”, de Adele. É bem divertido, mas, como tudo no longa, o momento acaba sendo estragado em seguida.

Nota: 2/10

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