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Críticas Quadrinhos

Crítica: Batman – Ano Um

Crítica: Batman – Ano Um

batman-ano-um-bode-na-salaBatman: Ano Um (Batman: Year One)

Roteiro: Frank Miller

Arte: David Mazzucchelli

Publicação: 1987

Por Victor Andrade

Um ano após o sucesso da A Queda Murdock (leia nossa critica aqui) com a Marvel, o roteirista Frank Miller e o desenhista David Mazzucchelli voltaram a se reunir para recriar a origem do Homem Morcego. E que recriação, meus amigos!

Em 1986 foi o ano da Crise nas Infinitas Terras, onde todo o universo da DC foi rebootado e com o reboot, teria que vir o reinício de seus personagens, começando pelo trio principal: Batman, Mulher Maravilha e Superman. Frank Miller foi o encarregado para recriação da já conhecida origem do vigilante de Gotham, criada por Bob Kane e Bill Finger em 1939. Com o Ano Um, o Batman ganhou uma dose de profundidade, complexidade e um contexto mais amplo. E também detalhes para acrescentar mais foco e credibilidade. O desempenho de Bruce Wayne para se tornar a criatura Batman foi melhor dramatizada. E, finalmente, todas as técnicas narrativas que os criadores de HQs tinham desenvolvido nos últimos 77 anos foram melhor utilizadas para concretizar todo o potencial do material básico.

O início deste conto já traz pontos fortes ao leitor que é conduzido por duas narrações: a do próprio Bruce Wayne e de James Gordon, o futuro e famoso comissário de Gotham. Gordon, é um honesto policial que foi transferido junto com a sua esposa gravida para uma Gotham cheia de corrupção ao mesmo tempo em que Bruce, retorna a cidade após anos de estudos e treinamentos pelo mundo. Notamos rapidamente que ambas são pessoas bem diferentes, marcadas pelo passado, mas seguindo um pensamento ético praticamente inquebrável. Determinados a tornar a sombria cidade num lugar mais limpo, mesmo que no começo não saibam muito bem como.

Nessa história, Miller e Mazzucchelli definem vários elementos e momentos que se tornaram fundamentais até os dias atuais (inclusive, muito utilizados na trilogia do Christopher Nolan no cinema): uma cidade extremamente corrupta, desde policiais, políticos e cidadãos; a mafia no comando das famílias mais privilegiadas de Gotham; um único homem dentro da policia tentando fazer a diferença; Bruce Wayne assumindo disfarces antes de ser o Batman; dois reintroduções importantíssimos: Selina Kyle (Mulher-Gata) e o promotor de justiça, Harvey Dent (futuramente o Duas Caras); a relação entre o mordomo Alfred e o Bruce…

E aqui podemos dar mais uma vez destaque para a extraordinária arte do Mazzcchelli: ele possui um domínio de composição, um senso de drama visual e um infalível olhara para os detalhes narrativas que trazem vida a uma cena. Com o uso predominante de cores frias (principalmente de cinza, azul e preto) em boa parte da HQ, diferenciando assim, de seu antigo trabalho na A Queda de Murdock. Originalmente publicada em quatro partes, Batman: Ano Um é apresentado como conjunto integral pretendido por Frank Miller e David Mazzucchelli – uma graphic novel que combina um mito urbano familiar com uma sensibilidade moderna e uma narrativa brilhante.

Nota: 9/10.

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