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Crítica: Horizonte Profundo – Desastre no Golfo

Crítica: Horizonte Profundo – Desastre no Golfo

horizonte-profundo-poster-nacional-bode-na-salaHorizonte Profundo – Desastre no Golfo (Deepwater Horizon, 2016)

Direção: Peter Berg

Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Matthew Sand

Elenco: Mark Wahlberg, Kurt Russell, John Malkovich, Gina Rodriguez, Dylan O’Brien e Kate Hudson

Por Carlos Redel

No dia 20 de abril de 2010, uma explosão da plataforma de petróleo Deepwater Horizon marcou a história dos Estados Unidos. Além de 11 homens perderem suas vidas na tragédia, houve o maior vazamento de óleo no mar da história norte-americana. Com o roteiro baseado no artigo do The New York Times “Deepwater Horizon’s Final Hour”, Peter Berg dirige o filme, que tem como objetivo contar a angustiante história e prestar uma homenagem aos trabalhadores que morreram no acidente.

O longa já começa no dia da tragédia, mostrando todas as decisões que culminaram na explosão da plataforma. O roteiro não poupa os termos técnicos e detalhes de como funciona a perfuração do oceano para a extração de petróleo, deixando, muitas vezes, o espectador confuso no meio de tantas explicações específicas sobre o assunto. No entanto, isto mostra o quão próximo da realidade o diretor tenta levar o público.

A trama foca no engenheiro-chefe da Deepwater Horizon, Mike Williams (Mark Wahlberg) e seu retorno para a plataforma no dia do desastre. Lá, ele e o responsável pela operação, Jimmy Harrell (Kurt Russell), entram em confronto com Vidrine (John Malkovich), representante da empresa que contratou a perfuração, a BP. O trabalho está com atraso de 43 dias e, como tempo é dinheiro, o funcionário da multinacional dispensa testes de segurança e aposta na sorte. Obviamente, isto não terminará bem.

Como a história mostrou, a operação dá errado e a Deepwater Horizon acaba pegando fogo. Então, é só questão de tempo para que toda a instalação seja consumida pelas chamas. Com 126 homens embarcados na plataforma, a luta pela sobrevivência é intensa e passada para a tela do cinema de maneira extremamente convincente. Berg consegue recriar o inferno que os trabalhadores viveram, com muita qualidade técnica e sem deixar nada artificial, apesar de parecer impossível que seres humanos conseguiram sobreviver àquela situação.

No entanto, o que mais diferencia Horizonte Profundo de outros filmes-catástrofe é que não existe heroísmo fora da realidade por parte de nenhum dos trabalhadores. Mesmo que Wahlberg faça o tipo ‘salvador da pátria’, ele não passa de um homem comum tentando fazer a coisa certa. Não há exageros na tela e o diretor também não poupa acusações a BP, deixando claro que a ambição por parte dos chefes da empresa custou a vida dos trabalhadores da plataforma.

No final das contas, o filme traz uma boa dose de novidade ao gênero e consegue cumprir o seu papel de maneira extremamente satisfatória. A denúncia feita em Horizonte Profundo serve perfeitamente para mostrar como funcionam grandes multinacionais, que elevam o dinheiro acima de vidas. Vale conferir, se angustiar e, acima de tudo, sair revoltado com esta incrível história real.

Nota: 8/10

(O filme chegaria aos cinemas nacionais em 06 de outubro, mas teve sua estreia adiada para o dia 10 de novembro)

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