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Crítica: Demolidor #168 a #191 – 1ª Fase de Frank Miller

Crítica: Demolidor #168 a #191 – 1ª Fase de Frank Miller

daredevil-bode-na-salaDemolidor #168 a #191

Desenhista e roteirista: Frank Miller

Anos: de 1981 a 1983

Por Victor Andrade

Demolidor, mesmo sendo uma das criações clássicas do Stan Lee nos anos 60 (junto com o Homem-Aranha, X-Men, Hulk e outros), sempre foi aquele típico personagem da categoria B ou até mesmo C da Marvel Comics, com uma ou outra história interessante aqui e ali ao longo dos anos, sempre à beira do cancelamento de sua revista bimestral. Mas nos início dos anos 80 tudo estava a mudar para o personagem graças a um jovem talentoso de apenas 24 anos chamado: Frank Miller!

Miller é aquele clássico profissional que sai de sua pequena cidade natal e vai para a cidade grande em busca de seu sonho, no caso para ele seria trabalhar com quadrinhos. Começando na Marvel como tapa buracos: roteirizando revistas de pequeníssimo porte, arte final em outras e até mesmo em alguns casos fazendo os três na mesma revista. Sua carreira mudou quando, em 1980, ele começou a desenhar a revista do Demolidor com os roteiros do Roger Mackenzie, e virou de ponta cabeça em 1981 quando assumiu de vez (roteiro e arte) a revista do personagem no número 168. Começando logo com uma porrada na cara: introduzindo a ex-namorada de Matt Murdock (alter ego do Demolidor) e assassina, Elektra Natchios.

Essa 1ª fase que Miller passou pelo Homem Sem Medo, ele revolucionou o personagem e introduziu centenas de elementos que enriqueceram cada vez mais a mitologia do personagem. As histórias ganharam um conteúdo policial e menos heroico, mergulhando de cabeça no submundo do crime e assim, adquiriram uma nova dimensão: personagem e cenário tornaram-se um único elemento! Mais do que qualquer outro artista, Miller conseguiu explorar a frustração do advogado Matt diante da ineficiência da justiça. Para ele, ser o Demolidor era uma forma de combater o crime e, ao mesmo tempo, uma conscientização de haver falhado como profissional nos tribunais.
Sequências cinematográficas (muitas cenas de lutas mais parecem um storyboard para um filme); roteiros ricos, cheios de clima, engrandecidos por uma utilização de claro/escuro (que mais para frente ele utilizaria em Sin City) nas páginas, forte influência pelo mestre dos quadrinhos, Will Eisner. A partir de tais elementos e estruturas, as vendas da revista Daredevil só cresceu e com isso também, um ponto muito importante, o número de leitoras só aumentou.
Apresentando também personagens e elementos fortíssimos nas histórias: a já comentada Elektra; a mudança de um dos inimigos da 2ª categoria da galeria de vilões do Homem-Aranha, o Rei do Crime, deixando-o extremamente estratégico e mortal; a reintrodução do assassino letal, Mercenário; do jornalista investigativo (um dos poucos a descobrirem a identidade secreta do herói cego), Ben Urich; e do mestre do Murdock e da Elektra, o ninja também cego Stick e com ele a vinda da máfia milenar japonesa, o Tentáculo; e além de um dos elementos mais importantes pro personagem, dele ser praticamente um mestre ninja! Outro ponto bem importante nas histórias de Miller com o personagem, são os sumiços nos tribunais do Murdock depois de suas “noitadas” como herói mascarado na noite anterior, deixando seu amigo e sócio, Foggy Nelson sempre na mão. Todos com a sua devida importância e sendo muito usada recentemente no seriado do Homem sem Medo na Netflix.
Essa fase está sendo relançada pela Panini em umas edições super caprichadas. Por mais que o valor seja alta (por R$ 92,00 você leva a edição), o conteúdo e o cuidado que a Panini teve em relançar tais histórias vale cada centavo investido para qualquer colecionador de histórias em quadrinhos!

Nota: 10/10

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