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Crítica: The Night Of

Crítica: The Night Of

the-night-of-poster-bode-na-salaThe Night Of (2016)

Criadores: Richard Price e Steven Zaillian

Elenco: John Turturro, Riz Ahmed, Amara Karan, Bill Camp, Peyman Moaadi, Poorna Jagannathan, Jeannie Berlin e Michael Kenneth Williams

Por Carlos Redel

Uma das apostas do ano da HBO é The Night Of, baseada na produção britânica Criminal Justice e desenvolvida por Steven Zaillian, de A Lista de Schindler, e Richard Price, de The Wire. A minissérie acompanha a história de Nasir ‘Naz’ Khan (Riz Ahmed), um jovem estudante, filho de paquistaneses, que acaba pegando o táxi do pai sem permissão para ir a uma festa. No meio do caminho, a problemática Andrea Cornish (Sofia Black-d’Elia) entra no carro querendo uma corrida. Durante o trajeto, os dois acabam se aproximando e indo para a casa da garota.

Em uma noite de excessos de bebidas, drogas e jogos perigosos, Naz e Andrea transam. Algumas horas depois, ele acorda na cozinha da casa da moça e descobre que ela está morta na cama. Desesperado, o jovem foge, mas acaba sendo preso. E as provas contra ele são muitas. Logo, ele se torna o único suspeito do caso. Na delegacia, Naz conhece Jack Stone (John Turturro), um advogado de porta de cadeia que se oferece para defende-lo. A partir daí, começa uma trama instigante, tensa e viciante.

Durante seus oito episódios, The Night Of se concentra em focar nos mistérios em torno do assassinato, com Stone como guia, que acaba fazendo as vezes de detetive, e em Naz na prisão, enquanto aguarda pelo julgamento. A primeira situação é o grande trunfo do programa. Turturro, que assumiu o papel que seria do saudoso James Gandolfini, está impecável como o advogado fracassado e alérgico que vê no caso uma chance de ser respeitado. No entanto, a parte da cadeia é onde a série deixa a desejar. Mesmo assim, Ahmed se entrega de maneira incrível ao personagem, que se transforma ao longa dos episódios, mostrando que sua ascensão em Hollywood, que se iniciou em O Abutre (2014), é mais que justificável.

Apesar de ser uma história fácil de ser real e, por isso, é tão chocante ver a situação de Naz, alguns caminhos tomados parecem não se encaixar dentro da proposta que, inicialmente, parecia rumar por caminhos mais complexos. Dentro da penitenciária, o jovem tem que tomar algumas atitudes para poder sobreviver, já que é alvo fácil. Neste momento, mesmo que justificável, o personagem se perde em meio a muitos clichês. Ele não parece mais estar dentro do universo da investigação e do julgamento. Os rumos da investigação também não surpreendem.

O clima sombrio do programa é um ponto positivo. Não há felicidade nesta história, tirando aquelas poucas horas estranhas em que Naz ficou com Andrea. A abordagem sobre preconceito é forte e uma das principais bandeiras levantadas durante os episódios, destacando como os norte-americanos mudaram desde o 11 de setembro. Existem ali, também, boas críticas ao sistema prisional e aos valores-notícia. Tudo misturado a ótimos diálogos.

O último episódio entrega um desfecho sem grandes surpresas, mas dentro daquilo que a série se propõe e isso é muito bom. O desfecho deixa a porta aberta para uma segunda temporada, mas sem a necessidade real disso. Uma ótima trama, com um elenco incrível e uma qualidade técnica impecável. A HBO acerta, mais uma vez.

Nota 8/10

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