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Crítica: O Homem nas Trevas

Crítica: O Homem nas Trevas

o-homem-nas-trevas-bode-na-salaO Homem nas Trevas (Don’t Breathe, 2016)

Diretor: Fede Alvarez

Elenco: Jane Levy,Dylan Minnette, Daniel Zovatto e Stephen Lang

Por Carlos Redel

Um veterano de guerra, cego, que vive isolado em um bairro deserto e guarda uma grande quantia de dinheiro em casa seria presa fácil para três jovens assaltantes, certo? Errado. Bem errado, mesmo. O Homem nas Trevas, tradução brasileira do título Don’t Breathe, ou seja, Não Respire, que se encaixa muito melhor à trama, consegue trazer algo diferenciado ao gênero do terror, mostrando a competência do diretor Fede Alvarez, responsável também pelo bom remake de A Morte do Demônio.

Logo no início da trama, depois de um breve vislumbre do desfecho da história, somos apresentados ao trio formado por Rocky (Jane Levy), Alex (Dylan Minnette) e Money (Daniel Zovatto) que, mesmo durante a realização de um crime, já indicam suas aspirações a mocinhos. Pouco tempo depois, aparece aquele assalto que pode fazer com que eles pendurem as chuteiras e curtam uma boa vida. Como todo filme que se preze, o trabalho final nunca sai como o esperado.

Quando a galera invade a casa do homem cego (Stephen Lang), eles acham que não tem como nada dar errado. O que eles não sabem, no entanto, é que o velho soldado não vai deixar que levem seu dinheiro tão facilmente. Aí, começa um jogo de perseguição, em um labirinto escuro e angustiante.

Com tomadas longas e, muitas vezes, apontando as barreiras e chances que os protagonistas terão, Alvarez cria um filme com tensão suficiente para segurar qualquer espectador na poltrona. Mesmo com alguns furos no roteiro, como a janela que era bloqueada, mas que uma pessoa pode facilmente cair por ela, a trama bem construída não deixa o suspense cair.

Lang, por sua vez, não permite que sintam piedade de seu personagem. Imponente, o ator, que coloca medo facilmente, consegue amedrontar ainda mais medo com seus olhos sem vida. Suas falas no longa podem ser contabilizadas nos dedos, mas, isso ajuda ainda mais a aumentar a profundidade do solitário homem cego. Jane Levy, que acaba assumindo a parte mais dramática da história, não desaponta nos momentos de maior suspense, se destacando entre os três invasores.

O convincente pavor estampado nos rostos dos atores, na verdade, se deve ao diretor e suas táticas de criar um clima assustador no set. Durante as gravações, Alvarez pregava peças em seu elenco, como, por exemplo, mandar alguém correr por um corredor escuro e dizer que Lang apareceria do lado direito e, na hora da ação, colocava o ator chegando pelo lado esquerdo, tornando o medo real.

As cenas em total escuridão são excelentes e cumprem o objetivo de imergir o espectador dentro da situação desesperadora e angustiante. No entanto, a partir da metade do segundo ato, o roteirista escolhe um lado, inserindo elementos na história que, no final das contas, não acrescentam em nada. Na verdade, prejudicam o bom desenvolvimento do longa. Mesmo assim, O Homem nas Trevas acaba se destacando dos demais filmes do gênero e mostra que dá para fazer muito com pouco.

Sam Raimi, produtor do longa, acerta mais uma vez, mostrando que não perde a mão para uma boa história de terror. E, também, não deixa esquece seu lado gore, em uma das cenas mais divertidas e nojentas do ano.

Nota 7/10

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