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Crítica: Maus – A História de um Sobrevivente

Crítica: Maus – A História de um Sobrevivente

maus-bode-na-salaMaus: A História de um Sobrevivente (Maus: A Survivor’s Tale)

Roteiro e arte: Art Spiegelman

Publicação: 1986 – 1991

Por Victor Andrade

Maus: A História De Um Sobrevivente é a uma biografia em história em quadrinhos escrita pelo sueco Art Spielman sobre seu pai, Vladek Spiegelman (judeu) e conta sobre como ele sofreu e sobreviveu à perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial, e de como isto afetou a vida de sua esposa e de seu filho.

A HQ usa o antropomorfismo: onde nela os judeus são retratados como ratos, os poloneses são porcos, os alemães são gatos, os franceses são sapos e os estadunidenses são cachorros. A ideia de retratar os humanos como animais tem uma genial ironia: principalmente na qual os judeus são retratos como ratos, porque afinal de contas, ratos nada mais é para os homens uma praga que precisam ser exterminadas, o que era uma ideologia semelhante dos nazistas sobre os judeus.

A história começa nos anos 80 nos EUA, com Art indo visitar seu pai (com quem possui uma relação distante) e levando consigo um pequeno gravador para que assim seu pai possa narrar os horrores sofridos por ele e sua ex-mulher durante a Segunda Guerra Mundial.

Começando lá na Polônia dos anos 40, Vlad começa a contar todo o sofrimento e horror que passou durante esse período fugindo dos alemães. Contando a sofrida experiencia por muitos na época, a história alterna entre passado e “presente” constantemente, com Vlad contanto a sua história para seu filho e muitas vezes se questionando o porque de passar por tudo aquilo quando mais jovem!

Com personagens fortes e verdadeiros, não há um momento em que você esteja lendo a HQ que não se comova com o que ocorreu com muitas pessoas naquela época: desde fome, frio, tortura, fugas, prisões, encarceramentos, câmaras de gás e muitas outras coisas inimagináveis para qualquer um hoje em dia. Impossível alguém não chorar lendo tais páginas!

A arte do Maus também merece um destaque à parte: inteira desenhada em PB, demonstrando de forma simples e extremamente magistral e incisiva (sem grandes “destaques” entre os quadros) os retratos de cada “animal” desenhada na HQ; notando nelas a expressão de dor dos “ratos”, com a face absurdamente humana, acreditando em sua dor. Usando e abusando de hachuras, a genial arte de Spiegelman ajuda a contar a história de uma melhor maneira ainda. História e arte completam uma a outra.

Vencedora do ‘Prêmio Pulitzer’ de 1992, Maus é uma história comovente sobre o Holocausto sem apelar para sentimentalismo barato. Uma obra prima da 9ª arte, obrigatória para qualquer colecionador de quadrinhos!

Nota: 10/10

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