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Crítica: Ben-Hur (2016)

Crítica: Ben-Hur (2016)

ben-hur-2016-poster-bode-na-salaBen-Hur (2016)

Diretor: Timur Bekmambetov

Elenco: Jack Huston, Toby Kebbell, Rodrigo Santoro, Nazanin Boniadi, Morgan Freeman, Ayelet Zurer, Pilou Asbaek, Sofia Black-D’Elia, Moises Arias

Por Carlos Redel

Remakes, se analisarmos bem, seriam uma ótima opção de apresentar para a nova geração uma história que marcou época, mas ficou datada e hoje não alcança o público que merece. Sendo assim, refilmagens deveriam sempre ser bem-vindas. Mas não é bem assim. Os produtores de Hollywood não têm motivos muito nobres para refazerem clássicos. O dinheiro que eles podem ganhar recontando uma história famosa é o seu principal objetivo.

Ben-Hur, clássico de 1959, já era uma refilmagem. Sim, remakes são feitos há muitos anos: a primeira adaptação da história para o cinema foi feita em 1907, em uma produção de 15 minutos. No ano de 1925, Fred Niblo conta sua versão, em um projeto de grande sucesso para a época. Apenas 34 anos depois, William Wyler levou às telonas o filme que se tornou um dos três grandes vencedores do Oscar de todos os tempos, com 11 estatuetas. Todas as obras, baseadas no romance de Lew Wallace, de 1880.

Agora, 47 anos desde a última vez que a história foi contada em uma grande produção cinematográfica, caiu para o diretor cazaque Timur Bekmambetov, que tem como seu maior sucesso O Procurado (2008), apresentar a trajetória de Judah Ben-Hur para um novo público.

A comparação entre o clássico de 1959 e a versão de 2016 é inevitável. A primeira grande diferença é a duração. Enquanto o antigo tem mais de 3h30 de projeção, a versão de Bekmambetov conta com pouco mais de 2h. Sendo assim, fica meio óbvio que a história teve que ser muito reduzida para servir dentro dos novos padrões da indústria hollywoodiana.

O começo do novo Ben-Hur é bem interessante, mostrando pontos que foram apenas mencionados na versão anterior, o que dá uma sensação de complementação entre os dois. Obviamente, tudo tem que ser apresentado de maneira mais rápida. No entanto, nos minutos iniciais, o espectador até consegue nutrir algum sentimento pelos personagens. Os problemas começam, mesmo, depois do primeiro ato.

Quando a história de Judah Ben-Hur (vivido por um bom Jack Huston) começa a se tornar dramática, ao ser condenado por seu irmão adotivo, Messala Severus, (Toby Kebbell, também bem em cena), a trabalhar nas galés dos navios romanos, por tentativa de assassinato ao governador, é que a história perde o ritmo e começa a ir ladeira abaixo.

Depois do fato derradeiro para a história, nada mais consegue prender e ser justificado dentro da trama. A motivação de Judah acaba se perdendo dentro de seu ódio sem noção. A busca por sua mãe (Ayelet Zurer) e irmã (Sofia Black-D’Elia), enredo principal da história, torna-se vazio e secundário. A vingança de Judah contra Messala perde força e, no momento decisivo entre os dois, não entrega o que era esperado.

Um dos pontos mais fracos da nova trama é o corte de um arco de muita importância dentro da história de Judah, quando ele consegue sua redenção em Roma, após salvar um cônsul da morte, que o adota como filho. Por conta disso, o herói, antes um condenado, volta para Judeia influente e desafia seu inimigo de igual para igual. Na versão atualizada, ele retorna para sua terra como fugitivo, que é ajudado por Ilderim (Morgan Freeman). No entanto, o apoio do personagem a Judah não tem nada de piedade, é apenas por interesse.

Outro ponto importante é a religião. Opinião à parte, Jesus de Nazaré, vivido dignamente por Rodrigo Santoro, acaba com áurea mística e sagrada do longa de 1959, que não tinha seu rosto revelado em nenhum momento. Na nova versão, logo de cara, o rosto do nosso ator brasileiro é destacado. Uma opção acertada, por mostrar que o suposto filho de Deus é um ser humano como os demais, porém com palavras certas e atitudes altruístas. Ponto positivo da nova versão.

A justificativa para esta nova refilmagem de Ben-Hur, no final das contas, é atualizar a história, mas não consegue fazer isso dignamente. O filme, assim como a versão de 1959, foi rodado dentro do Cinecittà-Studios, perto de Roma, mas, ao contrário do clássico, não teve uma grande estrela como protagonista, como foi o icônico Charlton Henston, ou um orçamento estratosférico. Os efeitos especiais, que deveriam ser o grande destaque da produção, acabam não sendo nada demais, principalmente quando misturados com uma fotografia suja e cortes grosseiros. No final das contas, não vale a pena mexer num clássico por 10 minutos de lutas de bigas em um fraco 3D.

Nota: 5/10

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