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Crítica: A Lenda de Tarzan

Crítica: A Lenda de Tarzan

a_lenda_de_tarzan_bode_na_salaA Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan, 2016)

Diretor: David Yates

Elenco:  Alexander Skarsgård, Margot Robbie , Samuel L. Jackson , Christoph Waltz, Djimon Hounsou

Por Carlos Redel:

A história de Tarzan foi criada por Edgar Rice Burroughs em 1912 e, desde lá, teve inúmeras adaptações, em diversas mídias. Na mais recente, A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan), o diretor David Yates (Harry Potter e as Relíquias da Morte 1 e 2) tenta apresentar e aprofundar a história para uma nova geração, contando a vida do selvagem após ser civilizado e, ao mesmo tempo, mostrando suas origens. No entanto, um chamado da selva faz com que o herói precise se pendurar novamente nos cipós para salvar todo um país.

A ideia busca expandir o universo do personagem e, provavelmente, criar uma franquia, pois abre um grande leque de oportunidades. Seria possível, mas os resultados em bilheteria devem atrapalhar os planos da Warner. Com um custo de US$ 180 milhões, o filme não conseguiu se pagar dentro dos Estados Unidos e isso deve inviabilizar um novo capítulo desta história. Negócios à parte, vamos ao que interessa.

A trama se passa no início do século passado e Tarzan (Alexander Skarsgård) agora vive como um lorde britânico, usando seu verdadeiro nome: John Clayton III. Como sua história rodou o mundo, o selvagem é uma celebridade e, por conta disso, é convidado a visitar o Congo e verificar as obras que o Rei Leopoldo da Bélgica anda fazendo por lá. No entanto, um enviado norte-americano, George Washington Williams (Samuel L. Jackson), revela que a que a população congolesa pode estar sendo escravizada pelos belgas.

Com uma história que chama atenção por fugir do lugar-comum do personagem, A Lenda de Tarzan sofre por criar uma mirabolante história de vingança do Chefe Mbonga (Djimon Hounsou), que, no final das contas, perde força e se torna completamente descartável na produção. Leon Rom, personagem vivido por Christoph Waltz, que deveria ser uma espécie de vilão de menor importância, rouba o filme para si e se torna a real ameaça. Waltz está mais comedido e mostra que seu talento é muito maior que derivações de Hans Landa, seu premiado personagem de Bastardos Inglórios.

Como protagonista, Skarsgård consegue passar a diferença de comportamento entre o John Clayton III e Tarzan. Na cidade, mais contido e dando a impressão de não estar pleno, e, na selva, livre e selvagem. No entanto, ainda falta algum carisma no ator. Margot Robbie dá vida a Jane, em uma atuação suficiente. Por sua vez, Samuel L. Jackson é o grande destaque do filme. Engraçado e com ótimas tiradas, seu personagem serve como parceiro de Tarzan e, contrastando com o limitado Skarsgård, ofusca o personagem principal.

Dona de orçamento pomposo, a produção deveria ser um deleite visual para os fãs da vida na selva e efeitos visuais, mas não é o que acontece. Nada que é criado por computação gráfica fica verossímil no longa. Animais, floresta, lutas, penduradas nos cipós… tudo fica com aparência artificial. Um mal que, em menor ou maior proporção, está presente nos filmes da Warner Bros. Apesar de tocar em assuntos importantes como escravidão, racismo e exploração da natureza, o filme fica devendo a entrega de uma história redonda. O diretor David Yates, apesar de acertar em muitos momentos, erra naqueles que são os mais importantes, aqueles que deveriam ser de maior emoção, acabam ficando vazios. Entre erros e acertos, A Lenda de Tarzan não ofende, mas também não entrega todo o potencial que tinha.

Nota: 6/10

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